Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Teatro em Vilar Formoso

foto
Teatro em Vilar Formoso.

No palco do Auditório do Pavilhão Multiusos de Vilar Formoso, no próximo Domingo dia 16 de Novembro, a partir das 21horas, a peça de teatro "Marianas".

Quem são estas MARIANAs?

Mulheres, simplesmente. Apaixonadas. Escravas. Prisioneiras das suas emoções. Libertárias - porque se libertam de grilhetas culturais. Arrojadas. Vítimas. Cúmplices. Temerosas. E temerárias.
Conhecidas internacionalmente, traduzidas por Rilke, citadas por Papini, as Cartas Portuguesas, atribuídas a Mariana Alcoforado (1640-1723) constituem um canto sobre a paixão, matizado por diferentes andamentos.

Em MARIANAs, é interpretado a terceira carta, onde são evidentes a desilusão, o engano, o tormento, a incerteza, a fraqueza, a insatisfação da Mulher - uma mulher duplamente enclausurada, note-se - perante o objecto - não correspondido - da paixão. A intenção é também cruzar com esta outras Cartas, bem mais contemporâneas: as Novas Cartas Portuguesas – escritas por aquelas que ficaram conhecidas, com esta publicação, em 1972, pelas Três Marias: Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa - que, partindo do mote dado pela publicação das Lettres Portugaises, constroem um exercício literário sobre a condição da mulher portuguesa ao longo dos tempos.


Ficha Artística:
Encenação: Gisela Cañamero
Cantora: Isabel Moreira
Violoncelo: Halina Berezowska

Ficha Técnica:
Director de Produção: Raúl Bule
Montagem de luz: Rafael Del Rio
Sonoplastia: José Manhita

CONTACTO PRODUÇÃO:

Fornecedor: arte pública
Contacto de Produção: Raúl Bule
Telemóvel: 964781436
Email: artepublica@gmail.com


As Cartas Portuguesas de Mariana Alcoforado:

Religiosa portuguesa. Freira no Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja, a quem é atribuída a autoria das Lettres Portugaises. Na realidade, a obra é escrita por Lavergne de Guilleraggues. Porém, este escritor francês da corte de Luís XIV publica em Paris, em 1669, a versão francesa de um texto em português escrito por uma freira, que é o conjunto de cinco cartas endereçadas ao marquês de Chamilly, futuro marechal de França (1636-1715). As cartas estão assinadas por Marianne e, de facto, nessa data o marquês serve em Portugal, onde chega em 1665, integrado nas tropas francesas que ajudam Portugal na Guerra da Restauração.

A controvérsia sobre a real autoria destas cartas tem-se prolongado até aos nossos dias. A existência histórica de Sóror Mariana Alcoforado, bem como a do seu apaixonado, não é posta em causa. As dúvidas surgem quanto à autenticidade das cartas. Para além do enigma literário que as cartas vêm criar, apócrifas ou não, as Lettres Portugaises lançam a moda dos romances organizados sob a forma de epístolas, de que o livro Relações Perigosas, de Pierre Choderlos de Laclos (1741-1803), constitui exemplo elucidativo.

A história destas cartas começa quan­do o texto é publicado pela primeira vez em 1669, em Paris, numa edição francesa de autor anônimo, na suposição (pelo próprio subtítulo) de que seria uma tradução. Golpe de marketing (o editor teria so­ne­gado o nome do autor, atribuindo as cartas a uma religiosa portuguesa – uma manobra sensacionalista) ou não, a dúvida fez com que dezenas de estudiosos e curiosos se lançassem ao encalço da solução do enigma. Para se ter uma idéia da longa celebridade destas cartas, grandes autores delas se ocuparam, como Stendhal, Sainte-Beuve, Rainer Marie Rilke, La Bruyère, Jean-Jacques Rousseau, entre muitos outros.

Para ambas as “correntes” há indí­cios e provas. A versão portuguesa, hoje praticamente aceita internacionalmente, é que de fato existiu em Beja, Portugal, no convento de Nossa Senhora da Conceição, uma freira de nome Mariana Alcoforado, nascida em 22 de abril de 1640 e com re­gis­tro de morte em 22 de julho de 1723. Tendo entrado para o convento aos 12 anos de idade, por volta de 1660, teria vivido in­tensa paixão por um oficial francês, o Sr. Ca­va­lheiro De Chamilly, que servia em terras portuguesas. De retorno a Paris, o senhor C. teria trocado arrebatada correspondência com sua amada portuguesa, fato que é ratifi­cado por Saint-Simon, contemporâ­neo e co­nhecido do galante oficial, homem de posses e estabelecido com mulher e filhos. A edição de 1669 atribui a autoria a um anô­ni­mo, mas em 1810 o periódico francês Journal de L’Empire publica a descoberta, pelo escritor francês Boissonade, de um exemplar das cartas, anotado, onde se diz que quem as escreveu foi Mariana Alcoforado e que o destinatário era o Sr. De Chamilly.

A versão francesa é de que um tal Guilleragues, a quem a edição de 1669 atribui a tradução das Cartas, seria o ver­dadeiro autor, e que tudo não passaria de um golpe publicitário do autor e do editor. O fato do autor ser anônimo, na época, constituía um charme para a publicação. Era uma p­rática muito em voga, tanto que um dos maiores best-sellers deste período, o clássico liber­tino Tereza Filósofa, era de autor anônimo. A comprovada descoberta do autor só ocor­reu em nosso século e na década de 90(!): tratava-se do Marquês D’Argens, ou Jean-Baptiste de Boyer. Naqueles longínquos anos, tudo se passava numa atmosfera de cortes românticas, anônimos geniais, punhos de renda e punhais dourados, e o reca­to das damas, contrastando com o ar­re­batamento dos cavalheiros, culmi­nava com amores sísmicos.

publicado por aroque às 23:05
link | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
31


.posts recentes

. Teatro em Vilar Formoso

.arquivos

. Dezembro 2014

. Dezembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

.tags

. todas as tags

.links